Mudámos de sítio

13/04/2010

Mudámos de sítio, mas o blogue é o mesmo. Mudámos por uma boa razão: passámos a integrar o conjunto de blogues convidados pelo jornal PÚBLICO, o que exige funcionalidades não suportadas por este espaço. Continuem a visitar-nos, agora em:

http://istambul5dias.net/   AQUI

Contamos convosco, com as vossas visitas e comentários.

Um abraço

Manuela Matos Monteiro e João Lafuente

Os dervixes em Portugal

07/04/2010

O facto de Istambul ser este ano uma das capitais europeias da cultura motivou um novo interesse sobre a cidade e sobre a Turquia. O “Festival Pontes para Istambul” no Centro Cultural de Belém e as iniciativas desenvolvidas pela Associação de Amizade Luso-Turca trouxeram a Portugal a literatura, a música, a dança, o cinema, a pintura, a fotografia e outras manifestações culturais turcas.

O carácter enigmático da dança dos dervixes justificará a grande afluência de público nos doze espectáculos realizados nas cidades do Porto, Évora, Braga, Portimão, Coimbra, Aveiro e Lisboa. Foram muito diversos os espaços onde se realizaram os espectáculos de dança e música sufi: igrejas, teatros, museus, auditórios de universidades e associações culturais, câmaras municipais…

No Porto, o Museu Soares dos Reis abriu o seu espaço ao espectáculo Sema. Para quem conhece o museu foi uma experiência nova percorrer de noite os espaços habitados por Aurélia de Sousa, Henrique Pousão, Soares dos Reis e Teixeira Lopes até chegar ao auditório. Durante duas horas a música e os dervixes rodopiantes trouxeram uma parte da Turquia a uma sala que foi pequena para tanto público.

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Dervixes

22/03/2010

Os espectáculos dervixe, associados directa ou indirectamente às actividades dos “Dias da Cultura Turca”e ao “Festival Pontes para Istambul”, tornaram presente a experiência que vivemos na cidade. É um facto que os dervixes fazem parte do imaginário associado à Turquia: fotografias, filmes e descrições várias criam expectativas e também perguntas a que não é fácil dar resposta. As vestes, o rodopio dos intervenientes, o cerimonial e, sobretudo, o sentido de tudo isto, tornam inevitável o desejo de ver os dervixes a agir num dos espaços de Istambul.

Alinhámos na proposta que então nos foi feita para assistir a uma actuação no Centro Cultural Hodjapasha que fica no sopé da colina de Sultanhamet, próximo da estação Sirkeci. O edifício era, até 1988, um banho turco chamado Hoca Paşa muito frequentado pelos istambulenses. A grande cúpula da sala principal, que aloja 550 espectadores, impressiona logo que se entra e o nosso olhar foi-se perdendo nas paredes de pedra talhada enquanto esperávamos.

Entrou primeiro a orquestra que tradicionalmente acompanha a sema, nome que designa a dança rodopiante dos dervixes. Seguiram-se os dez intervenientes que, em gestos lentos e silenciosos, se prepararam para a dança. Ao iniciar-se a dança-ritual acompanhada pela música densa e cadenciada, percebemos que o rodopio cada vez mais rápido tem um efeito hipnótico que de algum modo nos contagia. O círculo onde os dançarinos se movem, os movimentos rodopiantes sobre um pé, a forma redonda dos chapéus usados e os movimentos das saias simbolizam a perfeição, a busca do diálogo com a divindade, o desejo de paz e plenitude. Durante o ritual a mão direita dirige-se para o alto em busca da bênção divina e a mão esquerda em direcção ao solo simbolizando a dádiva.

Não sabemos se o Centro Cultural Hodjapasha é o melhor espaço para vivermos a experiência associada ao movimento Sufi. Contudo, quando na última noite regressávamos de um espectáculo de jazz, fomos surpreendidos por um som e uma imagem: num pátio de um restaurante sem clientes, um dervixe rodopiava sozinho ao som da música tocada por três executantes. Ficamos quietos, ao longe encostados ao corrimão de uma escada. Roubámos uma só fotografia daquele momento solitário e percebemos que num próximo regresso a Istambul iremos procurar outros sítios onde os rodopios dervixes aconteçam.

Alguns excertos de dança dervixe podem ser vistos AQUI 1 AQUIAQUI3

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O Olho de Istambul

08/03/2010

Não é por acaso que Ara Guler (1925) é considerado o Fotógrafo de Istambul ou o Olho de Istambul: quem projectar uma visita a Istambul deve ver o trabalho de Ara Guler aproveitando, por exemplo, a exposição Istambul Perdida (Lost Istambul) 1950-1960 que está no CCB no âmbito do festival “Pontes para Istambul”.

A cidade está diferente, porque se passaram muitos anos mas reconhecem-se espaços, situações, sítios, pessoas e, sobretudo, o sentimento de nostalgia, de melancolia, o “huzun” (palavra de difícil tradução) que Pamuk no seu livro “Istambul – Memórias de uma cidade” comenta e ilustra

Pamuk, precisamente nessa obra, reproduz 54 fotografias de Ara Guler e confessa que foram muitas dessas fotografias que desencadearam memórias adormecidas da sua infância e adolescência em Istambul.

E por vezes (… ) ao observar a magnifica fotografia que me evocava uma recordação muito antiga e recorrente, eu apressava-me, como num sonho, por reter cada reminiscência ou por anotá-la. Os inesgotáveis e incríveis arquivos de Ara Guler, que suscitam em mim o prazer visual e a embriaguez das recordações, constituem a melhor memória da vida e das paisagens de Istambul desde 1950”.

O vídeo Black and White combina uma boa sequência das fotografias de Ara Guler com a música dos Nightwish.

A ver, mesmo AQUI

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As romãs de Istambul

21/02/2010

As romãs de Istambul são diferentes na cor e no sabor. Pode ser impressão nossa, talvez porque se mostrem em todo o lado tendo como vizinhas as laranjas. Não resistimos a fotografá-las até porque é um dos nossos frutos preferidos.

Soubemos que o nome português romã deriva directamente do termo árabe rumman, enquanto que os termos pomegranate, grenade, granatapfel do inglês, francês e alemão remetem para a “descrição” do fruto: maçã com muitas grainhas ou sementes.O nome em turco é curto: nar.  Não conseguimos descobrir a sua origem.

Em muitas culturas a romã está associada à fertilidade, à abundância tendo sido consagrada pelos gregos a Afrodite, a deusa do amor. Segundo os textos bíblicos, Moisés trouxe romãs de Canaan como prova de que a terra prometida era fértil. Segundo o Corão, a romã é um exemplo das coisas boas criadas por Alá e é um dos frutos do Paraíso. Entre os hindus é dedicada a  Bhoomidevi, deusa da Terra. Para os judeus a romã é o símbolo da rectidão porque teria 613 sementes que correspondem aos 613 mandamentos da Tora. Não tivemos paciência para contar os grânulos das romãs que trouxemos porque eram muitos!

Em Istambul, experimentámos e gostámos do sabor único do sumo de romã que é feito na hora, mesmo ali à nossa frente. Não resistimos a trazer um saco de romãs turcas. Sirvam-se!

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O que dizem de Istambul 2

17/02/2010

Istambul, como toda a cidade imperial, é uma mistura de culturas, um terreno acolhedor para povos diversos, uma Torre de Babel. Aqui a Ásia, o Transcáucaso e os Balcãs encontram-se, a Tartária e a Arábia convergem, o Mar Negro e o Mediterrâneo juntam-se, os Muçulmanos, os Cristãos e os Judeus rezam, o antigo e o moderno confrontam-se.

Ates Orga, Istanbul: Poetry of Place

Teria de ser verdadeiramente maçador o visitante que não fosse capaz de encontrar, a certas horas ou sob certa luz, um lugar na cidade que não segredasse “o que é passado, ou presente ou o que virá”. Pois Istambul é ainda Miklagard (a Grande Cidade) dos Vikings, é a Maçã Vermelha dos Turcos. A marca do conquistador ainda está na sua coluna e a ambição impiedosa de uma imperatriz está gravada num mosaico. Estava certo Yeats: muitos momentos de grandeza e decadência ecoam pela cidade moderna, produzidos pelas vozes dos vivos e dos mortos.

Jason Goodwin, no prefácio de Istanbul: Poetry of Place

Gatos de Istambul

12/02/2010

Os gatos de Istambul são diferentes dos gatos das outras cidades, pelo menos daquelas  que conhecemos. Estão por todo lado e não fogem porque se sentem seguros nas relações com os humanos. Passeiam pachorrentos nas ruas como se estivessem em sua casa, dormem nos parapeitos das janelas, nas esplanadas, enroscam-se junto aos nossos pés. Estão nos jardins, nos mercados, nos cemitérios, nas soleiras das portas, nos pátios das mesquitas, no cais dos vapurs, estão em todo o lado. Aproximam-se de nós e convidam-nos às carícias. Ao fim da tarde, os comerciantes antes de fecharem as suas lojas deixam ração em pratinhos para os gatos da zona comerem. São gatos felizes porque não se sentem acossados.

Alguém comentava que uma cidade que trata  assim os gatos só pode ser uma boa cidade. Nós também achamos.

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“Vizinhos – Turquia: outro lado da Europa”

08/02/2010

João Romão, Maral Jefroudi e Vico Ughetto realizaram um documentário que vai passar na RTP2  no 17 de Fevereiro, quarta-feira, às 23:40.

Os temas abordados no filme são questões sensíveis da realidade turca: a igualdade de género, os direitos da população LGBT, e a relação com os Curdos. O documentário foi filmado em Istambul e em Diyarbakır, cidade de maioria curda onde em Setembro de 2009 se realizou o Fórum Social da Mesopotâmia em que se debateu a discriminação da minoria curda no país.

O filme que foi apresentado em Istambul no dia 19 de Dezembro tem prevista a edição em DVD em português, inglês e turco. O trailer do filme pode ser visto em:

http://www.youtube.com/watch?v=UVCitCv3vUI

O filme dá também a oportunidade de se rever o Grande Bazar, Hagia Sofia e outros lugares emblemáticos de Istambul.

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Mariza em Istambul

07/02/2010

Depois de ter dado um concerto no Royal Festival Hall em Londres no dia 26 de Janeiro, Mariza cantará em Istambul no Sanat Kultur Merkezi no dia 20 de Fevereiro pelas 20.00. Será diferente ouvir Mariza em Istambul e, por isso, aqui fica o endereço para a compra de bilhetes:

http://www.issanat.com.tr/en/event/concert/20100220/mariza/

Simit

03/02/2010

Simit é um pão em forma de argola com muitas sementes de sésamo no topo e que é vendido nas ruas. Fazem parte da paisagem de Istambul os carrinhos às riscas vermelhas e brancas que vendem simit e é difícil resistir quando o vendedor anuncia “Taze simit!”, “Simit fresquinho”.

Estas roscas de sésamo podem ser barradas com manteiga ou acompanhadas com compotas, mel ou iogurte.  Mas, no breve intervalo dos passeios nas ruas de Istambul, sabe bem comê-lo sozinho, leve e crocante.

Já a seguir, uma proposta …

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